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UNIÃO EUROPEIA TRAVA VENDA DE MINAS DE NÍQUEL EM BARRO ALTO E NIQUELÂNDIA
Por Redação Barro Alto 24H • 22 de maio de 2026

A venda das operações de níquel da Anglo American no Brasil para a empresa chinesa MMG segue enfrentando obstáculos internacionais e entrou no centro da disputa global por minerais estratégicos utilizados na transição energética.
O negócio, avaliado em até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões), envolve diretamente os complexos de mineração de Barro Alto e Codemin, em Niquelândia, além dos projetos minerais Jacaré, no Pará, e Morro Sem Boné, no Mato Grosso.
A transação foi anunciada oficialmente pela Anglo American em fevereiro de 2025, como parte da estratégia global da companhia de reduzir sua atuação no setor de níquel e concentrar investimentos em cobre, minério de ferro premium e fertilizantes.
Segundo comunicado oficial da mineradora, a MMG Singapore Resources Pte. Ltd, subsidiária integral da MMG Limited — empresa ligada ao grupo estatal chinês China Minmetals — concordou em adquirir os ativos brasileiros de níquel da Anglo American.
Investigação da União Europeia
Apesar do anúncio da venda, a operação passou a enfrentar resistência de órgãos reguladores internacionais, especialmente da União Europeia.
As autoridades europeias abriram uma investigação formal para avaliar possíveis impactos concorrenciais e estratégicos da transferência das minas brasileiras para o controle chinês.
O principal temor europeu é que a mudança de controle possa afetar o fornecimento futuro de ferroníquel para o mercado europeu, considerado essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos, aço inoxidável e tecnologias ligadas à transição energética.
Nos bastidores, o negócio passou a ser tratado como uma questão geopolítica envolvendo minerais críticos, principalmente diante do avanço da influência chinesa sobre cadeias globais de matérias-primas estratégicas.
Segundo informações divulgadas por agências internacionais, a Comissão Europeia analisa possíveis medidas para garantir que o fornecimento de níquel brasileiro continue chegando ao mercado europeu mesmo após a conclusão da venda.
A Reuters informou que Anglo American e MMG chegaram a apresentar propostas para assegurar o abastecimento europeu por vários anos, incluindo mecanismos de revenda do ferroníquel para clientes do bloco europeu.
Ainda assim, a aprovação definitiva segue pendente.
Valores bilionários da negociação
O acordo firmado entre Anglo American e MMG prevê pagamentos divididos em etapas.
A estrutura financeira divulgada oficialmente inclui:
• US$ 350 milhões pagos à vista na conclusão do negócio;• Até US$ 100 milhões vinculados à valorização futura do preço do níquel;• Até US$ 50 milhões adicionais caso a MMG avance com novos projetos minerais no Brasil.
O valor final da operação poderá variar conforme o desempenho futuro do mercado internacional do níquel e das decisões de expansão mineral.
Minas seguem operando normalmente
Apesar do impasse regulatório internacional, as operações de mineração em Barro Alto e Niquelândia continuam funcionando normalmente.
As unidades goianas são consideradas estratégicas dentro do setor mineral brasileiro e produziram juntas aproximadamente 39 mil toneladas de níquel em 2024, segundo dados divulgados pela Anglo American.
O complexo de Barro Alto também recebeu reconhecimento internacional por práticas ligadas à mineração responsável.
Disputa global por minerais críticos
A negociação ocorre em meio ao aumento da disputa internacional por minerais considerados essenciais para a nova economia energética global.
O níquel é utilizado principalmente na fabricação de baterias para veículos elétricos, além da indústria do aço inoxidável e de tecnologias industriais avançadas.
Nos últimos anos, China, Estados Unidos e União Europeia ampliaram disputas comerciais e estratégicas envolvendo o controle da produção global desses minerais.
A possível transferência das minas brasileiras para um grupo ligado ao governo chinês passou a ser acompanhada com atenção por autoridades europeias e também por representantes da indústria americana.
Entidades internacionais do setor siderúrgico chegaram a pressionar governos estrangeiros para acompanhar o caso, alegando preocupações sobre concentração de mercado e dependência mineral.
Enquanto a decisão final não é divulgada pelas autoridades reguladoras europeias, o futuro definitivo da venda permanece indefinido.
Fontes: Anglo American, Reuters, Financial Times, Revista Mineração e Brasil Mineral.
